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13/10/2020
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carteiro usando máscara segurando caixa de encomenda próximo a van amarela do Sedex

Entre uma e outra notícia sobre a pandemia da COVID-19, uma pauta que dominou o Brasil nos últimos meses foi a privatização dos Correios, projeto de lei que atualmente está em tramitação no Congresso Nacional. Aqueles mais familiarizados com o universo do e-commerce, no entanto, sabem que essa não é uma discussão nova.

A privatização dos Correios é um tema que vem sendo debatido desde as eleições de 2018, sendo inclusive uma das promessas de campanha da chapa do atual governo. Aqueles que defendem a proposta usam como argumento os custos que a companhia representa para o orçamento do país, que poderiam ser melhor empregados em outros setores.

A suposta ineficiência do serviço é outro fator que pesa sobre o tema, principalmente entre os leigos, aquele consumidor final do e-commerce que usa os Correios apenas para receber encomendas. Quem não conhece o sistema de perto pode não ter noção do papel da instituição, que vai muito além da logística, com outros serviços essenciais que podem ser severamente prejudicados em uma possível privatização.

Apesar de ser um tema complexo e sem solução fácil, o debate sobre a privatização dos Correios deve ser do interesse de todos, principalmente de quem trabalha com e-commerce – categoria que sofrerá os impactos mais imediatos da decisão, independente do resultado.

Continue a leitura e veja como a privatização dos correios pode afetar o comércio eletrônico!

faixa com logomarca dos Correios

Privatização dos Correios: quais são os players envolvidos?

Caso a privatização dos Correios ocorra, os principais candidatos a compradores seriam aqueles dispostos a investir nos serviços de logística – ou seja, empresas vinculadas ao e-commerce.

Segundo o Ministro das Comunicações, os players em questão seriam a Magalu e a Amazon, gigantes do e-commerce; FEDEX e DHL, líderes mundiais em logística; e um quinto nome, ainda não revelado.

O problema do e-commerce

Quem conhece a fundo o universo do comércio eletrônico brasileiro, principalmente os desafios de logística que todo empresário enfrenta, provavelmente já sonhou em ter para si uma empresa com o alcance e a estrutura dos Correios. Mesmo o consumidor final poderia ter algumas vantagens, como fretes mais baratos, rápidos e seguros.

Apesar de ser um cenário digno de sonho para algumas partes, essa possibilidade pode trazer um impacto negativo na realidade de outros envolvidos, principalmente os pequenos e médios empresários. Como concorrer com uma empresa gigante que tem para si a maior infraestrutura de logística do país – utilizada hoje por 82% dos e-commerces nacionais?

Além da concorrência desleal, a privatização dos Correios poderia precarizar outras atribuições da companhia. No caso de uma venda total, é preciso questionar como uma empresa como a Amazon poderia se responsabilizar, por exemplo, por serviços como o Banco Postal, que realiza operações bancárias em regiões onde não há agências.

Os riscos do controle estrangeiro

Outra opção seria a privatização dos Correios por uma empresa de logística estrangeira. Todas as ressalvas do e-commerce valem aqui também: o papel dos Correios não se limita aos serviços de logística, e é preciso garantir que essas funções continuem a ser cumpridas, mesmo sem apresentar possibilidades de lucro.

É preciso considerar também a problemática da segurança nacional. O governo federal possui monopólio sobre a entrega das correspondências por um motivo: atualmente, as maiores movimentações no setor são feitas pelas bases militares brasileiras, para o envio de documentos muitas vezes sensíveis.

Para garantir a segurança desses materiais, nenhum interesse econômico pode se sobrepor ao dever da companhia de garantir a segurança nacional. Uma empresa de logística estrangeira não só não teria interesse em proteger o país, como poderia até colocar o Brasil em uma situação de vulnerabilidade estratégica.

Da mesma forma, a entrada do capital estrangeiro significaria que a infraestrutura logística do Brasil seria explorada, mas os lucros não ficariam por aqui.

E-commerce: o que muda com a privatização dos Correios?

carteiro usando máscara segurando caixa de encomenda próximo a van amarela do Sedex

É difícil fazer uma previsão definitiva dos efeitos da privatização dos Correios sobre o e-commerce quando ainda não se sabe como se configuraria a operação. Existem outras possibilidades além da venda completa, como gestão mista, na qual o governo ainda manteria uma parte do controle sobre alguns serviços, como o das correspondências e o Banco Postal.

Isso pode ser feito pela venda de ações minoritárias dos Correios para outras empresas, como já acontece com o Banco do Brasil, ou ainda pelo desmembramento da parte de encomendas, que seria assumida por uma empresa particular enquanto o Estado administra os outros serviços.

A parte logística é a que de fato interessa ao e-commerce. A expectativa do setor é que a privatização dos Correios traga melhorias e redução de custos, como aconteceu com o serviço de telefonia no país. No entanto, a solução não é tão simples assim.

Desafios de logística

Apenas uma parcela mínima da operação de logística dos Correios é, de fato, lucrativa. Tirando as maiores cidades brasileiras, onde há grande movimento de e-commerce, realizar entregas no interior, em regiões remotas, é oneroso e até as empresas particulares de logística utilizam os Correios para completar as entregas nesses lugares.

Essas áreas vão continuar precisando de atendimento e é preciso garantir que uma privatização dos Correios não prejudique o acesso de parte da população ao serviço. O mesmo vale para as pequenas e médias empresas de e-commerce, que em sua maioria dependem dos Correios integralmente para suas operações.

É importante também questionar se a venda seria realmente a solução para os problemas que mais afetam o serviço hoje, como a lentidão e os extravios. Todas as notícias sobre o crescimento do e-commerce no país não foram acompanhadas por novas contratações nas agências dos Correios, cujos funcionários não recebem aumento desde 2009.

A logística no país também enfrenta um problema de segurança, e muitas mercadorias são extraviadas porque os carteiros são um dos principais alvos de assalto no país. A privatização não garantiria solução para essa questão, que é muito mais abrangente do que o universo das encomendas.

vans amarelas do Sedex estacionadas em armazém

Então qual é a solução?

É fato que os Correios hoje enfrentam problemas, mas é impossível cravar que a privatização daria conta de todos eles. Como foi exposto, muitas das dificuldades enfrentadas pela instituição hoje em dia são apenas um reflexo de problemas mais amplos no país, que uma empresa privada não daria conta de resolver sozinha.

A privatização dos Correios também não significa que os investimentos do governo seriam extinguidos. Ainda seriam necessários subsídios para que o serviço continue funcionando da forma como acontece hoje, e essa adaptação também iria pesar sobre o orçamento do país, invalidando o argumento de que a venda liberaria recursos para outras áreas.

Mesmo no caso do e-commerce, é preciso ver se os problemas que afetam o segmento estão relacionados apenas aos Correios. Por isso é necessária uma avaliação criteriosa, de preferência longe da pressão exercida pelas categorias envolvidas, para que a solução encontrada seja benéfica para a população e não apenas para aqueles que podem lucrar com ela.

Até que a questão se resolva, veja quais são as soluções disponíveis hoje para que toda empresa consiga executar uma boa gestão de entregas!


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